A reunião partiu de um diagnóstico compartilhado: a política cultural do município demanda não apenas fomento, mas também sustentação institucional. Nesse sentido, o fortalecimento do Conselho aparece como condição estruturante para qualquer avanço, uma vez que ele opera como instância de mediação entre poder público, artistas, coletivos e sociedade civil. Foram discutidas estratégias para recomposição de cadeiras, reativação das setoriais e criação de mecanismos contínuos de mobilização, capazes de garantir presença, escuta e deliberação qualificada.
Ao lado dessa agenda de reorganização institucional, o Instituto Gaiato apresentou o interesse em contribuir com a construção de políticas culturais orientadas ao público neurodivergente, ampliando o escopo de atuação do município para além das práticas tradicionais de acesso. A presença da Associação Guajaramirense de Autistas e Pais Extraordinários (AGAPE) tensionou o debate no sentido de compreender a cultura não apenas como expressão artística, mas como campo de cuidado, pertencimento e produção de vínculo.
Esse eixo introduz uma inflexão relevante: pensar o fomento cultural como ferramenta de inclusão sensível, capaz de acolher diferentes modos de percepção, comunicação e presença no mundo.
Ao final do encontro, consolidou-se a compreensão de que a revitalização da cultura em Guajará-Mirim passa por dois movimentos simultâneos: a reconstrução das instâncias de governança cultural e a ampliação dos sujeitos reconhecidos pelas políticas públicas. O Conselho, nesse cenário, deixa de ser apenas um espaço formal e se reposiciona como dispositivo vivo de articulação, onde a cultura pode ser pensada como prática coletiva, situada e comprometida com a diversidade real do território.

Nenhum comentário:
Postar um comentário