segunda-feira, 4 de maio de 2026

Encontro articula recomposição do Conselho de Cultura e propõe agenda de inclusão neurodivergente em Guajará-Mirim


No dia 04 de maio, o Instituto Gaiato participou de uma reunião com Paulo Santos, na sede da Associação Cultural Waraji, em Guajará-Mirim. O encontro se configurou como um movimento inicial de reorganização do campo cultural local, com foco na retomada da capacidade operativa do Conselho Municipal de Políticas Culturais, atualmente atravessado por baixa participação, fragilidade de quórum e desarticulação entre seus segmentos.

A reunião partiu de um diagnóstico compartilhado: a política cultural do município demanda não apenas fomento, mas também sustentação institucional. Nesse sentido, o fortalecimento do Conselho aparece como condição estruturante para qualquer avanço, uma vez que ele opera como instância de mediação entre poder público, artistas, coletivos e sociedade civil. Foram discutidas estratégias para recomposição de cadeiras, reativação das setoriais e criação de mecanismos contínuos de mobilização, capazes de garantir presença, escuta e deliberação qualificada.

Ao lado dessa agenda de reorganização institucional, o Instituto Gaiato apresentou o interesse em contribuir com a construção de políticas culturais orientadas ao público neurodivergente, ampliando o escopo de atuação do município para além das práticas tradicionais de acesso. A presença da Associação Guajaramirense de Autistas e Pais Extraordinários (AGAPE) tensionou o debate no sentido de compreender a cultura não apenas como expressão artística, mas como campo de cuidado, pertencimento e produção de vínculo.

Esse eixo introduz uma inflexão relevante: pensar o fomento cultural como ferramenta de inclusão sensível, capaz de acolher diferentes modos de percepção, comunicação e presença no mundo.

Ao final do encontro, consolidou-se a compreensão de que a revitalização da cultura em Guajará-Mirim passa por dois movimentos simultâneos: a reconstrução das instâncias de governança cultural e a ampliação dos sujeitos reconhecidos pelas políticas públicas. O Conselho, nesse cenário, deixa de ser apenas um espaço formal e se reposiciona como dispositivo vivo de articulação, onde a cultura pode ser pensada como prática coletiva, situada e comprometida com a diversidade real do território.

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