quarta-feira, 1 de julho de 2026

Aos 4 anos, Aurora Tavares estreia no teatro dirigida pelo tio, em ação da Gaiatice de Fronteira

Sobrinha de Nolram Rocha ensaiou e decorou o texto de uma microcena com o próprio tio e apresentou várias vezes durante o expediente de uma obra, dando pausa no trabalho de cada pessoa e fazendo todos sorrirem


Aurora Tavares, sobrinha de Nolram Rocha, fez nesta semana sua primeira apresentação teatral. Não houve palco, coxias ou plateia sentada. A cena aconteceu no meio de uma obra, entre carrinho de mão, sacos de cimento e tijolos empilhados, num fim de tarde em que adultos trabalhavam na construção enquanto tio e sobrinha ensaiavam.

Nolram Rocha, mestre de cultura lúdica e fundador do Instituto Gaiato Ajuntamento - a Rede Ludoafetiva de Cultura Viva, reconhecida pelo Ministério da Cultura como Pontão de Cultura - dirigiu Aurora numa microcena. A menina decorou o texto e apresentou várias vezes ao longo da tarde, uma para cada pessoa que encontrava disponível. Cada apresentação interrompia por alguns minutos o trabalho de quem estava por perto e transformava aquela pausa em sorriso, entre familiares e trabalhadores da obra.


O episódio aconteceu no âmbito da Gaiatice Cultural Rural e Transfronteiriça, também chamada Gaiatice de Fronteira, Ponto de Cultura vinculado ao Pontão em Guajará-Mirim, cidade de fronteira entre Brasil e Bolívia. Para a Rede, momentos como esse mostram que a condução poética não escolhe palco. Acontece no terreiro, no quintal, na obra, no encontro entre gerações de uma mesma família — o que a Rede chama de Terreiro Lúdico-Afetivo, espaço onde o círculo do jogo se instaura em qualquer lugar.
Enquanto os adultos levantavam parede, tio e sobrinha levantavam imaginação. A repetição da cena para cada novo espectador não foi insistência infantil sem propósito: foi transmissão em ato, o mestre de cultura lúdica passando repertório para a geração seguinte da própria família, e uma criança de 4 anos já praticando o que a Rede chama de cultura lúdica ativa — criativa, autônoma, que cria plateia a cada apresentação em vez de esperar por ela.
É esse tipo de acontecimento, entre trabalho, família e ensaio, que a Gaiatice de Fronteira busca documentar e valorizar como parte da atuação cultural do Pontão no território.

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